sexta-feira, 23 de maio de 2014

Esteva (Cistus ladanifer)






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Foi em miúdo que a caminho do Algarve, já em plena serra algarvia, pela primeira vez a esteva me despertou interesse. Esteval à vista, fiquei na altura fascinado pelo efeito de grupo.
As surpresas não acabaram por aqui. Já adulto e a morar no Alto-Douro, tomei consciência da existência de variações na esteva no que à coloração das pétalas diz respeito – existem estevas contendo pétalas com muita pinta, enquanto outras, cândidas, são imaculadamente brancas.

A maior surpresa tive-a eu no meu jardim. Aguardava pela floração da minha primeira esteva, quando aparentemente a desgraça sobre mim se abateu. Estava florida pela manhã a minha esteva, quando rente à noite não restava qualquer pétala. Estaria doente a minha xara? Andaria alguma praga à solta? No dia seguinte novas flores, novamente ausentes sob o crepúsculo. Assim descobri que a esteva renova diariamente as flores. Felizmente que a floração por ser escalonada acaba por se prolongar no tempo.
Muito recentemente outra surpresa. Descobri a subespécie Cistus ladanifer sulcatus, endémica do extremo sudoeste de Portugal. Se a identificação não fosse feita por especialistas, nunca acreditaria tratar-se de uma Cistus ladanifer. Com porte rastejante é extremamente ornamental.
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Nome vulgar: Esteva; Estêva; Ládano; Lábdano; Xara
Família botânica: Cistaceae.
Nome científico: Cistus ladanifer.
Distribuição Geral: Sul de França, Península Ibérica, Noroeste de África e ilhas da Macaronésia.
Distribuição em Portugal: dispersa praticamente por todo o território continental, com especial intensidade sobre solos ácidos das zonas mediterrânicas.
Habitat: matos e matagais, muitas vezes sobre solos pobres, em climas secos e quentes. Pode formar densos estevais em zonas ardidas e perturbadas.
Floração: maio a junho.
Características:
Planta perenifólia de crescimento rápido. Trata-se de um arbusto ereto, podendo atingir os dois metros de altura. É viscosa, dado segregar uma resina intensamente aromática com características medicinais, apelidada de ládano ou lábdano, o que está na origem do seu nome específico. Possui folhas lanceoladas, opostas, sésseis (sem pedúnculo) e lustrosas. A parte superior das folhas, brilhante e sem pelos é verde escura. A página inferior é mais clara devido aos pelos que a cobrem. Possui flores grandes (8 a 10 cm de diâmetro) com cinco pétalas curiosamente engelhadas. Existem exemplares que exibem uma mancha escura na base das pétalas brancas, enquanto outros têm as pétalas totalmente brancas, podendo as duas formas ocorrer no mesmo local. O fruto é uma cápsula globosa com vários compartimentos. Este fruto lembra um pequeno cesto,“ciste” em grego, palavra que derivou para o latim e deu o nome ao género cistus.
Caraterística das paisagens mediterrânicas, a esteva dispersa pelo ar o seu forte e inconfundível aroma. É um arbusto vistoso e ornamental, pouco exigente em termos nutricionais. Pode ser usada em locais solarengos, em jardins rústicos, rochosos ou não. Fomenta a biodiversidade no jardim por atrair uma grande variedade de insetos. Não reage muito bem ao corte de ramos, particularmente nos indivíduos mais velhos. É igualmente sensível a perturbações nas suas raízes.
Rafael Carvalho / mai2014

11 comentários:

  1. adoro o seu blog! adorei as estevas, parecem a pele do arminho usada nos mantos reais, os pontinhos escuros.
    Já coloquei algumas flores do seu jardim no meu blog, o antiguinho.
    Parabéns! Abraços.

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  2. Jorge,
    obrigado pelo seu agradável comentário.
    Volte sempre!

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  3. Mais uma excelente autóctone, Rafael. Quando estão em flor a esteva é um espectáculo, imbatível...finalmente este ano consegui estabelecer uma estaca no meu jardim, está pegada...agora vamos ver se aguenta o Verão.

    cumprimentos,
    Jaime Eusebio

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  4. James,
    espero que tenha sorte com a sua esteva. Prepare-se para sentir um odor inolvidável.
    Cumprimentos.

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  5. Post belíssimo sobre estevas!
    Espero um dia vir a ter a subespécie sulcatos, é fantástica.
    As suas estevas durienses estão agora a florir? Pergunto-lhe porque na Beira Baixa desde meados de Maio não se vêem estevas floridas em parte alguma. Por aqui o mês forte é Abril, e em Maio começa o declínio. Por vezes, precocemente, podem surgir algumas flores no início de Março.
    Cumprimentos.

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  6. Caro Xisto,
    são grandes as diferenças climatéricas nas diferentes regiões do Alto-Douro. Os vales são profundos e em apenas alguns quilómetros as diferenças de altitude podem ser de algumas centenas de metros. Moro em Armamar, zona de planalto. As minhas estevas começaram a florir no início de maio. Nas zonas mais baixas, junto ao Douro talvez no início de abril.
    Cumprimentos.

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  7. parabens pelo blogue ,grande ferramenta para o meu pequeno grande jardim...plantas perfeitamente adaptadas que, inclusive, atraem os preciosos pequenos insetos que mantêm a minha horta saudavel ,livre de quimicos... apenas beneficios...

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  8. Eu gostaria também de as plantar no meu pequeno jardim... Qual a melhor forma e altura de as plantar? Desde já muito obrigado pelas publicações no seu blog e pelo tempo dispendido. :)

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  9. Caro Tiago,
    Pode plantar as estevas precisamente nesta altura!
    Como diz o ditado, em outubro, pega tudo...
    Também as pode plantar na primavera, com a desvantagem contudo de nessa altura necessitarem de mais regas.
    Quanto à forma, nāo difere do que habitualmente se faz com as restantes plantas: abre-se una cova com alguma dimensāo, para facilitar a penetração das raízes. Insere-se a planta por forma a cobrir as raízes. Mesmo em tempo de chuva, deve ser feita uma rega para aconchegar as raízes.
    Bom trabalho.
    Um abraço.

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    Respostas
    1. Ok. Boa. :) já amanhã vou dar uma volta à serra fazer a colheita! :) a minha motivação primária é a atração de insectos. Grato pelo esclarecimento.
      Muito obrigado, abraço. :)

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    2. Ok. Boa. :) já amanhã vou dar uma volta à serra fazer a colheita! :) a minha motivação primária é a atração de insectos. Grato pelo esclarecimento.
      Muito obrigado, abraço. :)

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