segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Rosmaninho (Lavandula stoechas)







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Em miúdo, habituei-me à presença do rosmaninho nas areias do litoral central. Quando mudei de armas e bagagens para o Alto-Douro, onde atualmente vivo, não estranhei pois a sua presença.
Pedem-me por vezes opiniões sobre que plantas usar nos jardins – o rosmaninho surge no topo da lista. Aromático, o rosmaninho possui um grande valor estético; resiste à geada no inverno e à seca no verão; tem valor medicinal, etnobotânico e culinário; fornece sementes a uma miríade de aves; espécie bastante melífera atrai insetos úteis para a horta e para o jardim.
Sobre as plantas do meu jardim tenho bastantes histórias e os meus rosmaninhos não são exceção. Há tempos pediu-me um vizinho uns pés de rosmaninho. Como no momento não tinha nenhum exemplar excedentário indiquei-lhe o lugar no monte onde os podia ir buscar. Ficou ofendido o meu interlocutor - dizia ele que não queria rosmaninhos mirrados do monte mas sim rosmaninhos mimosos de jardim. Mal sabia ele que uns e outros eram irmãos, também eu ao monte os fui buscar.
Sem qualquer outro mimo, apenas libertos de plantas concorrentes, crescem bastante viçosos os rosmaninhos do meu jardim…
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Nome vulgar: rasmonino; rosmaninho; rasmano; arçã; lavândula.
Família botânica: Lamiaceae.
Nome científico: Lavandula stoechas.
Distribuição Geral: região mediterrânica
Distribuição em Portugal: distribui-se por todo o território continental, com especial relevo nas regiões de clima mediterrânico.
Habitat: terrenos incultos e matagais, por vezes dominante, originando rosmaninhais; de grande amplitude ecológica, surge quer em dunas litorais quer no interior do país em zonas secas e expostas, com solos pobres e ácidos, com origem em areias, xistos ou granitos.
Floração: março a setembro.
Características:

De folhagem persistente, o rosmaninho é um pequeno arbusto lenhoso, facilmente identificável pelo aroma e pelas espigas violetas que lhe coroam a copa. Estas espigas, compostas por pequenas flores tubulares e labiadas, inserem-se entre brácteas, estando o conjunto rematado, em jeito de penacho, por três longas brácteas de cor violeta. A altura do rosmaninho ronda por norma os 20 a 30 cm, podendo atingir contudo os 150 cm quando cultivado ou, em estado natural, quando compete em altura com outras plantas. O seu caule é direito, ascendente ou prostrado. As folhas do rosmaninho são verde-prateadas, estreitas e mais ou menos aveludadas, inteiras, quase lineares. O seu fruto é um aquénio. 

Aromático, adaptado ao seco verão mediterrânico e à geada no inverno, o rosmaninho nos últimos anos têm vindo a conquistar terreno às espécies exóticas de lavandas. O mesmo já sucede há anos no mundo do paisagismo anglo-saxónico, onde os portuguesíssimos rosmaninho (L. stoechas) e rosmaninho-verde (L. viridis) são espécies estimadas. O rosmaninho tolera solos pobres e ventos fortes. É um tipo de lavanda com folhagem verde-acinzentada, muito decorativa. De março a setembro dá flores magníficas de cor violeta. Sem qualquer intervenção, o rosmaninho envelhece muito precocemente. Uma poda intensa no outono, mantem a planta compacta e favorece o seu rejuvenescimento. Servindo de alimento e abrigo a uma diversificada fauna silvestre, o rosmaninho contribui para o incremento da biodiversidade no jardim. O rosmaninho pode ser propagado por sementeira ou por estaca na primavera. Também é fácil de reproduzir por alporquia.

Rafael Carvalho / ago2013

7 comentários:

  1. Caro Rafael

    Uma crítica construtiva: Temos de ter algum cuidado quando sugerimos que se vá ao campo colher plantas selvagens, pois isso pode ter consequências nefastas para os ecossistemas. Eu também já dei essa sugestão (temos de incentivar a plantação das nossas espécies) e também tenho muitas plantas autóctones colhidas no campo, mas a colheita deve ser feita com alguma regra e se for uma espécie vulnerável não deve ser realizada. Uma regra que sigo é só colher plantas num local onde elas existem em abundância e procurar que essa colheita cause o menor impacto possível sobre as restantes.

    Já agora, aí no seu jardim têm alguma destas espécies autóctones: Boca-de-lobo ( Antirrhinum majus) e roselha pequena (Cistus crispus L.). A primeira já começa a ser encontrada com frequência nalguns jardins agora a segunda, apesar do seu potencial, ainda não vi em nenhum.

    Abraço.
    Paulo

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  2. Caro Paulo,
    compreendo e aceito a sua crítica. É por demais evidente que a colheita de espécimes na natureza tem de ser regrada, nunca se devendo recolher espécies protegidas, sobre as quais existem restrições legais, ou espécies pouco frequentes na região.
    Satisfeitas essas regras elementares que ambos conhecemos é só vantagens:
    - evita-se a contaminação genética que certamente ocorreria se os exemplares tivessem origem desconhecida;
    - a presença de plantas locais nos nossos jardins contribui para a sua disseminação pela região;
    - quem planta uma planta autóctone trazida do monte, evita as espécie exóticas, diminuindo assim o risco das invasões biológicas.
    Muitos livros de jardinagem e aquariofilia desaconselham a recolha de plantas na natureza. Ora foi também através dos centros de jardinagem que foram introduzidas as espécies que grandes problemas têm trazido à manutenção da nossa biodiversidade - veja-se o caso do jacinto-de-água ou da canadiana elódea.
    O meio científico começa a despertar para este problema. A título de exemplo, o projeto "Charcos-com-Vida” do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), no que respeita à colonização artificial dos charcos refere:“A colonização pode trazer diversos problemas como a introdução acidental de espécies exóticas, de doenças ou de parasitas ou a poluição genética. Assim, caso haja mesmo necessidade de colonizar artificialmente o novo charco, esta colonização deve ser feita com espécies recolhidas nos habitats aquáticos mais próximos e NUNCA comprando plantas em viveiros ou trazendo de locais distantes.” – conferir em http://www.charcoscomvida.org/como-participar/construcao/colonizacao
    Relativamente às bocas-de-lobo, não possuo nenhum exemplar no meu jardim. Quanto às roselhas, possuo apenas a Cistus albidus, existente na minha região. A Cistus crispus é frequente no maciço calcário estremenho. Pode adquirir o que pretende em http://sigmetum.blogspot.pt/.
    Cumprimentos.

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  3. Completamente de acordo quanto ao teor das suas apreciações à minha crítica.
    Quanto à roselha pequena já a tenho no meu jardim, colhida nos campos da região (moro numa das faldas do maciço calcário estremenho).
    Conheço a Sigmetum, mas ainda não tive oportunidade de a visitar.

    Cumprimentos.
    Paulo Fonseca

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  4. No meu entender, e isto é senso comum, assim os nossos maiores problemas fossem provocados pelas pessoas irem todas buscar plantas autóctones aos montes para plantar em casa! O problema é o oposto, é que a maioria das pessoas são como o vizinho do Rafael, querem é plantas quase envernizadas a sair da estufa, ou então exóticas, diferentes, mais estranhas possíveis, de preferência que mais ninguém tenha na vizinhança.
    E isto tanto se passa com plantas como com os animais, daí que não seja estranho pessoas terem em casa coisas tão estranhas como macacos ou crocodilos que depois estranhamente aparecem nos nossos rios!
    Sobre o rosmaninho esse está bem bonito, bem mais bonito que o meu, que está com uns ramos secos, e por estes dias também andaram umas borboletas-zebra por lá, mas preferiram a alfazema.

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  5. Aquifolivm,
    Obrigado pelo comentário.
    Uma poda radical poderá eventualmente resolver o problema dos ramos secos no seu rosmaninho.
    Cumprimentos e volte sempre.

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  6. Gostei da expressão "plantas quase envernizadas a sair da estufa" :))

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